Miguel


De tantos nomes. De tantas histórias. A tua me chocou mais, Miguel. Tu só tinhas 5 aninhos. Nem tinha noção das maldades dessa vida. Tudo que você queria era sua mãe. Aquele povo estranho, que te olhava estranho estava te dando medo, né? Eu sei que olhar é esse, Miguel. Eu já o vi. Eu já fui a criança que acompanhava a mãe ao trabalho porque ela não tinha com quem me deixar. Eu já estive no teu lugar, Miguelzinho. A dor tem que dar lugar à revolta, meu amor. Ninguém pode te esquecer.


Hoje queria muito falar sobre racismo no Brasil, sobre o medo dos brancos de serem apontados como racistas. Sobre a falsa manifestação de revolta pelo que aconteceu naquele país tão idolatrado na última terça-feira, quando tantos compartilharam, mesmo sem saber a razão, uma tela preta em seu Instagram. Na quarta, Miguel morreu. Morreu por desprezo. O nome não é negligência, o nome é DESPREZO. Desprezo pelo menino negro, desprezo pelo menino pobre. Miguel morreu por desprezo.


Isso não pode ser esquecido. Isso não pode ficar impune. Não agora. Não mais. Justiça para Miguel.

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