• Tassi Oliveira

Diário do isolamento: semana 1

Obs.: Vou voltar aos tempos dos diários para ajudar a passar o tempo...


Uma semana que parece um mês. O que você estava fazendo final de semana passado? No meu caso, eu estava ciente de que logo em breve deveríamos nos resguardar, mas ainda fui almoçar com amigos no sábado e a um aniversário no domingo. Talvez não tenham sido as melhores escolhas, já que muita gente já estava evitando sair, mas ainda não havia nada decidido sobre o meu trabalho. No domingo, começo da noite, fiquei sabendo que já não teria que ir dar aula na segunda de manhã. Então, a ficha caiu. A coisa ficou séria.


Há semanas eu venho falando sobre o surto, depois a epidemia e agora a pandemia do coronavírus. Seja aqui, seja em sala de aula. Agora estamos vivendo o momento inicial do surto no Brasil. Nesse momento, com dados do final da manhã de 22 de março de 2020, a contagem estava em 1212 casos confirmados pelas secretarias estaduais de saúde e são 18 mortes confirmadas até agora. Fonte: @coronavirusBra1 (conta no Twitter criada para divulgar os dados contabilizados através de fontes oficiais, vale checar). Para comparar, Uma semana atrás, dia 15 de março, tínhamos 98 casos confirmados pelo Ministério da Saúde. Só um detalhe: os dados do Ministério da Saúde são sempre um pouco menores do que as secretarias estaduais.


Assim, na segunda-feira iniciei meu período de limitação de convívio social. Não posso chamar propriamente de quarentena, uma vez que não estou doente e não estou em total isolamento. Só um contexto: eu moro sozinha e em um prédio pequeno, então eu tomei algumas atitudes para mim: primeiramente, eu não visito mais meus pais. Como estou eventualmente me expondo, escolhi não ir visitá-los para diminuir a possibilidade de contágio deles. No primeiro dia, ainda fui treinar e fui ao supermercado comprar alguns itens que estavam faltando (o que para mim significa basicamente tudo).


No segundo dia, eu fui ao mecânico consertar meu carro. Comecei a ficar preocupada em ter que usar o carro em uma urgência e não conseguir. Aproveitei que as oficinas ainda estavam abertas e deixei lá. Já estávamos aguardando a possibilidade do comércio fechar em breve. As ruas estavam com menos carros, mas a vida continuava normalmente. Aliás, o supermercado estava bem abastecido e com pessoas agindo quase normalmente. Dava para ver um ou outro de máscara e as prateleiras de sabonete líquido e de desinfetante estavam mais vazias.


E aí, veio a quarta-feira com mais determinações da Prefeitura e do Governo do Estado que restringiram ainda mais a vida social. Academias e correlatos, escolas, públicas e privadas fecharam. Agora eu realmente senti que estava em quarentena. Trabalho muito tempo em casa, não preciso passar o dia fora, mas a atividade física diária é o momento da minha rotina que me equilibra. E a atividade que eu faço é em grupo, há também a relação entre aquelas pessoas que fazem a aula. É um momento de liberação de endorfina e de congregação social (se é que existe esse termo). Só sei que é algo que me mantém sã. E, claro, tem os exercícios para fazer em casa, mas não chega nem aos pés daquilo que a gente tem in loco. Um p.s. aqui nesse parágrafo: escrevendo sobre a quarta agora no domingo, penso como parece que isso aconteceu há umas duas semanas atrás!


Quinta, sexta e sábado pareceram todos iguais. Buscando atividades para fazer ao redor da casa, reuniões online, escrita da tese de parágrafo em parágrafo. Pequenas pílulas de treino sozinha. Celular + TV + notícias o dia inteiro. O consumo de notícias (e de álcool também) nesse período tem sido mais do que o recomendado. Me considero uma pessoa tranquila, não sou paranoica. Mas o excesso de informação que eu estou consumindo pode fazer mal, é verdade. O medo tem chegado cada vez mais perto. E que medo é esse? É medo de ficar doente? Não... meu medo é de a nossa sociedade não suporte e entremos em um estado de calamidade social. O que é isso? Pessoas morrendo, outras matando, brigando por comida, com fome, sem dinheiro, sem casa... Meu medo não é de ficar doente, mas é de não conseguir pagar o aluguel, comprar comida. Claro, também é de perder familiares e amigos. Tenho medo do caos.


Para não acabar numa nota sombria. O que fazer para evitar isso? É muito importante que o governo (essa entidade mágica) de todas as esferas assumam o comando e tentem minimizar os danos. Lutem o bom combate. É preciso que a classe trabalhadora seja priorizada! É preciso que a grande maioria da população seja cuidada. As medidas devem ser de proteger os mais frágeis, porque eles só podem contar com o Estado. É possível apelar para a iniciativa privada (e aqui eu estou falando das grandes corporações e não do mercadinho da esquina) para que eles abracem a causa e também entendam que é hora de todo mundo se abraçar (figurativamente) e se proteger, mas não é possível contar com isso. Se vier, ótimo!


E, mais! É preciso sanidade! Nada de desespero, nada de violência. É preciso pensar racionalmente, mas também é preciso ter inteligência emocional! É muito fácil enlouquecer e partir para o irracional, mas não vai ajudar em nada. Nesse momento, é preciso fazer o que dá para fazer e cuidar um do outro. Depois, a gente vê como é que fica. Pensei em uma alegoria para descrever esse momento e imagino que estamos em um barco salva-vidas e estamos saindo do navio afundando em direção à praia. Se nos desesperarmos, pessoas não vão chegar ao barco e quem conseguir entrar pode não conseguir chegar à praia porque o desespero leva o barco a virar. É preciso serenidade para que o máximo de pessoas consigam chegar ao final disso de forma segura. É essa a conclusão da primeira semana. Que venha a segunda...




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